''E o que me consome são as lembranças do passado presente na memoria ausente'' Rafael V. Piacentini
terça-feira, 9 de julho de 2013
RETICENCIAS
um romance não deverias
ter essas pausas
viver essas coisas de virgulas
o carinho não pode ter
esseas coisas de ponto final
deixa impressão de meio caminho
por isso deveria ser teatral
e acabar em conjulgação
do verbo amar
assim as prosodias romanticas
em reticencias podem continuar
terça-feira, 2 de julho de 2013
DOS MEUS POETAS
quando Drummond eu li
até o sono eu perdi
pensando na festa de um tal José
que aposto estava tão bebado
que nem parava em pé
quando o Mario de Andrade conheci
pensei que grande poeta
até suas frases mais soltas
pareciam apenas vazer de sua caneta
então Vinicius, o de Morais
soneto de fidelidade, receita de mulher
são poemas que perduram, poemas imortais
Ah, Mario Quintana
um poeta que sofre e que ama
contigo me identifico
as vezes pego teu livro
e deito na cama
e penso, esse sim é poeta que ama
Ferreira Gullar, me fez querer escrever
falando da arquitetura do Oscar
e do coito com a mulher amada
sempre te li sem nem piscar
quando a cama ja estava desarrumada
o Fernando pessoa
ele um tanto me magoa
com essa historia de heternomios
rimava tão bem
que até sem a rima seus poemas
me caem bem
por fim penso em Leminski
de poucas palavras
que tocam o fundo do leitor
fez-me reconhecer-me
sou um homem com uma dor
RAFAEL VENTURIN PIACENTINI
DA DESCRENÇA
o seu silencio me machuca
e essa sua indiferença
chega a me arrepiar a nuca
como antes me fazia tua presença
aperta meu pobre coração
ver em teus olhos a descrença
de que desejo pegar em tua mão
só não me olhe com tamanha diferença
pois ainda te olho com meu carinho
mesmo que a mim não mais pertença
ainda espero poder cruzar em teu caminho
quero ainda entrar em tua vida
uma outra vez sem pedir licença
mas que seja então em hora devida
como assim queira a tua sentença.
RAFAEL VENTURIN PIACENTINI
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