repara no cigarro
nas cartas do teu baralho
repara no papel
repara no edifico
que arranha o ceu
repara na tua escolha
no teu espelho
no teu rosto e no teu oposto
repara no sorriso
para, no perfume
que traz a lembrança
do encontro, do tanto
do beijo e do gosto
repara, não para
repara na dança
que no pé está a mudança
repara na rotina
mas abre essa cortina
para na poesia
que nem sempre
precisa da rima
repara na mão que escreve
que tão leve é breve
mas repara
veja, beija
toque, sinta
sinta o toque
que te arrepia a pele
veja o olhar
que agora te faz calar
toca o vazio de teu eu
tão vago
mas repara
repara e muda
que de mudo silencio
se para
então se re-para.
RAFAEL VENTURIN PIACENTINI
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